Medo ou amor, uma escolha constante

O medo e o amor são uma escolha constante, são duas personagens opostas e todos os nossos pensamentos se baseiam numa delas. O amor é o líder e o medo é a oposição. Porque temos de viver a dor? Porque não podemos ser sempre felizes?

Quando nascemos recebemos quatro emoções: a alegria que é o amor; o medo, a raiva e a tristeza que são a dor. Todas estas emoções são inatas ao ser humano, são partilhadas por todos e estão ligadas ao instinto e à sobrevivência.

Temos de viver a dor, ou seja o medo, a raiva e a tristeza porque é necessário conhecer os dois lados para podermos fazer escolhas. A dor existe para passarmos por ela e aprendermos a escolher o amor. Escolher o amor pode ser sair do sítio em que temos pena de nós próprios e medo da vida dura e cruel, libertar as pequenas preocupações e ver outra perspetiva do que acontece, uma mais positiva.

Hoje venho falar-vos sobre o medo e assumo desde já a minha dificuldade em lidar com este tema. Escolhi-o porque durante o tempo que estive na ilha de São Miguel, nos Açores, vivi uma experiência única onde percebi o que era realmente o medo. Até então nunca tinha vivido tão intensamente esta emoção. Assumi esta experiência como a grande lição a tirar daqueles dias de férias.

Ainda antes de estar em São Miguel, o meu grupo de amigos manifestou interesse em fazer uma viagem de barco para ver os golfinhos e as baleias. Enquanto todos se mostravam animados, a minha Mente entrou em pânico, porque o meu Subconsciente (que guarda as memórias e as emoções mais densas do passado) lhe mostrou o que eu senti há quinze anos atrás, numa viagem deste género feita exatamente naquele sítio. Senti-me muito mal, durante as três horas que estive no mar e a partir daí, tive sempre receio de fazer viagens de barco.

Apesar do medo, aceitei fazer a viagem pois pensei que seria uma boa altura para enfrentá-lo e superá-lo. A primeira viagem que marcámos, não foi realizada por motivos alheios ao nosso conhecimento e isto deixou-me a pensar. Será que não era para eu fazer a viagem e o Universo estava a dar-me oportunidade de fazer uma nova escolha? Talvez… a verdade é que tinha muito medo de ir e de me sentir muito mal de novo.

Depois de algumas reflexões, decidi que não iria fazer a viagem. Mas o Universo, que está sempre atento às nossas escolhas, quis testar a minha decisão. Então apareceu uma nova proposta, ver os golfinhos e as baleias com a empresa Futurismo, de catamarã, um barco bastante maior do que aquele onde iríamos inicialmente. Fiquei na dúvida… e agora? Vou, ou não vou? Decidi ir e contrariar a minha primeira escolha.

Assim que o barco começou a entrar no mar e a afastar-se da costa o meu sistema nervoso alterou-se consideravelmente. Percebi que o meu problema não era bem com os enjoos, mas sim com o mar, que estava particularmente agitado. Ora, nada é por acaso!

Tenho-vos a dizer que foi uma viagem muito complexa, difícil e verdadeiramente aterradora para mim. Foi a primeira vez que senti medo de uma forma tão intensa. Senti um medo incontrolado de estar ali, de ver o mar e as suas ondas, de sentir o barco aos altos e baixos, do poder e da potência do mar. A par dos enjoos, da má disposição, do coração alterado e do sistema nervoso a colapsar, percebi o que foi ter um ataque de pânico. Perdi o controlo sobre mim mesma. Duas skippers (profissionais que nos guiam a bordo) foram fantásticas e cuidaram de mim de uma forma inexplicável. Passadas cerca de três horas, quando cheguei novamente a terra, estava mais calma, mas os sintomas de toda aquela aventura ainda estavam muito presentes.

Ao longo das horas seguintes pensei muito sobre o que aconteceu, partilhei o que estava a sentir e tirei algumas conclusões. Nos últimos tempos tenho estado mais consciente das minhas escolhas e quanto mais consciente estou, mais medo tenho de não as conseguir manter, de voltar a cair no sofrimento do passado e de fracassar. Deste modo, tenho alimentado pequenos medos e dilemas, em vez de ver outras perspetivas.

Esta experiência mostrou-me que os pequenos medos que tenho sentido não são nada perante o que me aconteceu, e quando eu os alimento dou-lhes importância. Se eu não tiver coragem de ir arrancando as pequenas ervas daninhas da minha vida, um dia aparecem preocupações maiores, para tornarem estas insignificantes.

Foi uma escolha minha ter feito aquela viagem de barco, e ainda bem que a fiz! Nos momentos de pânico que passei só queria sair dali e julguei-me por ter escolhido ir. Hoje, sei que esta experiência permitiu-me sentir o medo numa outra dimensão e mostrou-me que nós não controlamos nada. Fiquei feliz por ter conseguido transformar todas aquelas emoções bastante densas em algo positivo. Quando estou perante uma preocupação lembro-me várias vezes desta experiência e relembro à minha Mente que nada do que estou a sentir é pior que as ondas daquele dia. Devo confiar mais e escolher o amor, acreditar que está tudo certo e ver os desafios de outra perspetiva.

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