“Confia em ti e quando não confiares, escreve sobre isso”

Uma vez disseram-me: ” Confia em ti e quando não confiares, escreve sobre isso”. Agora, quando voltei a ler esta frase, achei que estava na hora de escrever sobre isso.

Nos últimos dias fui confrontada com a questão do amor-próprio e assumo que isso me tem andado a moer e trouxe-me alguma tristeza. O amor-próprio é a coisa mais importante que devemos cultivar em nós, no entanto tenho imensa dificuldade em fazê-lo. Percebi que me julgo mais do que me amo e que tenho dificuldade em confiar em mim, confiar que consigo fazer aquilo que escolhi fazer.

Passa tudo pela questão de quem sou eu e como o consigo ser perante os outros. Somos educados numa sociedade em que devemos agradar aos outros, pelo menos eu fui. Há uma ausência muito grande do cultivo do amor-próprio e só quando crescemos e nos damos conta de que não gostamos da maior parte daquilo que somos, é que nos apercebemos disso.

Quando as crianças são pequenas é lhes exigido que se portem bem, que não façam birras, que sejam socialmente corretas porque há coisas que “não se devem fazer”, mas a maior parte das pessoas não se questiona de como é que as crianças se estão a sentir, porque é que elas sentem medo e quais são as suas preocupações. Todas estas questões têm o objetivo de agradar a quem? As pessoas estão preocupadas com quem? Com os outros ou com elas próprias?

Vivemos numa sociedade virada para os outros e quando em adulta sou confrontada com a questão do amor-próprio admito que me detesto mais do que me amo. Isto significa que me estou sempre a julgar por aquilo que fiz ou não fiz, porque tenho medo da reação que os outros vão ter perante isso. Medo de falhar para com os outros. Medo de falhar perante as expetativas que criei para mim mesma. Medo que não seja amada da maneira que tenho necessidade de ser.

Porquê tanta preocupação com aquilo que os outros pensam de mim? Eles se calhar também estão preocupados com aquilo que pensam deles! É um ciclo interminável. No fundo, acho que todos nós só queremos ser amados e como não conseguimos ser amados pelo que somos, ou seja por nos próprios, procuramos, incansavelmente, que os outros nos amem.

Temos medo que nos deixem, que nos enganem, que nos magoem, que deixem de nos amar. Então tentamos agradar-lhes, achamos que os outros são propriedade nossa ou criamos uma carapaça dura onde aparentemente nada nos afeta, quando no fundo só queremos ser amados.

Só serei verdadeiramente feliz quando me amar a mim mesma tal como sou, com todos os defeitos e feitios. Serei feliz quando me permitir viver todas as emoções sem culpa do que estou a sentir.

Como me posso amar, se ainda vejo em mim tanta coisa de que não gosto? Ando à procura de respostas, mas acho que necessito de me ver, de olhar sem filtros para essas coisas de que não gosto, até perdoar e começar a amá-las uma por uma e só depois mudar aquilo que acho que já não quero ser. Parar com as queixas e as desculpas, parar de me esconder atras da minha ingenuidade, que às vezes tanto jeito me dá.

Para chegar até mim tenho de compreender o estado emocional onde estou no momento, só assim poderei entendê-lo, transformá-lo ou simplesmente aproveitá-lo. Só consigo aumentar a quantidade de pensamentos positivos se tiver coragem de olhar para os pensamentos negativos, encará-los e assumir que eu também sou essa. Só assim eles perdem importância e dão lugar a outros mais positivos.

Hoje sinto-me assim. Esta também sou eu e foi esta que hoje vim aqui partilhar.

Não quero continuar a esconder-me de mim própria.

Quero aprender a amar-me cada vez mais um bocadinho.

 

4 thoughts on ““Confia em ti e quando não confiares, escreve sobre isso”

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  1. Raros são os que não sentem isso. Partilho da tua opinião. O auto conhecimento e auto confiança são dificeis de alcançar. Ha vicios dificeis de mudar. Estamos sempre em aprendizagwm e evolução!

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