Um dia de emoções fortes

Ontem foi um dia de emoções fortes. Madrinha de batizado, madrinha de casamento, viver memórias do passado e viver no presente a ser eu, a perceber a importância que dou a mim mesma e ao que os outros interpretam dos meus comportamentos. Hoje é dia de relaxar, de meditar sobre as aprendizagens feitas e de olhar para dentro e perceber aquilo que sinto.

Viver as emoções com consciência tem sido um desafio enorme. A maior parte das vezes não é muito agradável e quem me rodeia, mais intimamente, sabe disso. Esta foi uma escolha minha, mas há dias em que não apetece nada e é bastante cansativo ter consciência do que estás a sentir e procurar o porquê. Vejo coisas de que não me orgulho, vejo medos que persistem em ficar, pois estão bastante enraizados, vejo realidades que antes não ligava nenhuma. Contudo a escolha de viver desta maneira foi feita e agora a própria vida traz-me as aprendizagens.

Na noite anterior ao batizado tive muita dificuldade em dormir, instalou-se a ansiedade e como um nevoeiro, rapidamente, tomou conta de tudo. Hoje, quando olho para determinadas alturas da minha vida, vejo que isto aconteceu-me muitas vezes e quando era mais nova, se bebesse um café, transformava-me numa autentica bomba relógio! Fui procurar o que significa esta emoção, a ansiedade. Percebi que o corpo tem comportamentos de ansiedade em situações em que se prepara para dar resposta a uma situação que é percebida como um desafio ou uma ameaça e em situações em que não sabemos exatamente o que vai acontecer. Ou seja, é mais uma forma de medo.

Mais uma vez, surge a questão de querer controlar tudo o que se passa, principalmente aquelas situações onde esperam que eu faça algo, situações onde não sei o que vai acontecer e situações onde é possível ser o foco de atenção. Tudo porque não queremos que as coisas saiam fora do nosso controle. Este controle não é consciente, mas há um querer que tudo seja perfeitinho e que nada saia fora do esperado. No entanto, a vida é ótima a surpreender-nos com situações em que as nossas emoções se agitam e fazem um grande cocktail.

Na realidade correu tudo bem! A ansiedade é que só passou mais tarde. E durante este tempo em que estou ansiosa não usufruo da vida como poderia usufruir e há momentos que já não se voltam a repetir.

A cerimónia do casamento trouxe-me algumas memórias da minha própria vida. Não devemos ignorar o que já vivemos e tudo o que passámos. Foram essas vivências que fazem de mim aquela que eu sou hoje. Gratidão a todos os que já passaram pela minha vida e me ensinaram a ser eu. Por mais medo que me possa provocar, aceito assumir as responsabilidades sobre o que as minhas escolhas provocaram. Esconder-me dos outros e de mim própria é um engano. A mudança é uma situação constante, adaptemo-nos a ela.

O batizado também me trouxe algumas reflexões. Ser madrinha de alguém significa ser mãe de um filho que não é nosso. Nunca este sentimento maternal me invadiu tanto como desta vez. Não foi a primeira vez que fui madrinha, mas desta vez fez-me pensar como é bom poder ajudar a cuidar de alguém. Não procuro neste novo ser uma substituição de um filho que nunca tive, apesar disso já me ter passado pela cabeça. Eu ainda não desisti de ser mãe. Por vezes a fé desaparece e é difícil acreditar que aquilo que nunca aconteceu, um dia possa acontecer. Mas depois desses segundos de desespero desaparecerem, vem novamente a fé nessa possibilidade. Acredito que ser mãe é um amor para a vida toda, é um amor que se descobre de uma forma inexplicável. Estou aberta a essa experiência, a amar para a vida toda!

A propósito do amor deixo-vos aqui uma parte da leitura da cerimónia e que eu achei maravilhosa:

” Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como bronze que ressoa ou como címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu possua a virtude da fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou.
E ainda que reparta todos os meus haveres e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita.
O amor é paciente, o amor é benigno; não é invejoso, não é altivo nem orgulhoso; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor não acaba nunca.”

Há muitas formas de amar. Amem muito, amem sempre, amem para a vida toda.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: