Relacionamentos

Os relacionamentos são complexos e não vêm com livro de instruções. Bem, se viessem também não significava que as instruções fossem seguidas! Há momentos de intensa satisfação, outros de profundo desânimo e mais umas centenas, ou milhares muito diferentes pelo meio. Como é que se mantém um relacionamento feliz, com os pais, familiares, amigos, filhos, companheiros?

Não sei. Cada um vai percorrendo o seu caminho e fazendo as suas aprendizagens. Uma coisa eu sei, é nos relacionamentos que nós aprendemos. E há aqueles seres especiais que nos estão sempre a pôr à prova, tanto que até irrita. Pois é mesmo com eles que estamos a aprender, principalmente a escolher-nos a nós.

Nos últimos dias as minhas leituras têm-se debruçado sobre um livro que me sugeriram: O Mestre – Um guia para a arte dos relacionamentos de Don Miguel Ruiz. Está escrito de uma maneira tão simples e tão clara que esta história dos relacionamentos parece uma coisa bastante simples!

Já alguma vez pararam para pensar sobre os vossos relacionamentos, com as mais variadas pessoas que vos rodeiam? Eu já tenho dado algumas espreitadelas nos meus relacionamentos, mas na realidade há coisas que tenho dificuldade em ver, principalmente aquelas que se referem a mim.

Do que já li neste livro, houve uma verdade que me tocou bastante: “Não podes mudar os outros. Ou os amas como são ou não. Ou os aceitas como são ou não. Tentar mudá-los para que sejam como queres é como tentar transformar um cão num gato”. Agora eu olho para dentro, olho para mim e pergunto-me se já amei alguém assim… a resposta é não. Houve muitas vezes (e ainda há) que quis transformar um cão num gato!

Acho que na maioria das vezes eu sempre quis que os outros fizessem as coisas à minha maneira porque isso me dava segurança. Se os outros forem como eu, sentia-me enquadrada na sociedade. Daqui vem a minha insegurança quanto à minha maneira de ser e à maneira de eu estar na vida. Descobri isto quando comecei a pesquisar sobre as causas emocionais das doenças. Depois de perceber que tinha endometriose, tentei compreender como é que o meu lado emocional contribuiu para essa doença e fui percebendo algumas situações menos agradáveis.

Hoje, quando olho para o passado e revejo muitos dos meus comportamentos, percebo que sempre foi mais fácil usar máscaras sociais, porque eu acho que nem eu sabia quem eu era na verdade. É difícil permitir que os outros vejam quem realmente somos, é difícil ver as nossas feridas emocionais e as dos outros.

De um modo geral, em qualquer relação criam-se expetativas, eu criei muitas e ainda crio! Só que depois, quando essas expetativas não correspondem à realidade também crio dramas para tudo, mesmo para as coisas simples e insignificantes. Percebi que todos os relacionamentos têm duas metades e eu só sou responsável pela minha, pois nunca posso ser responsável pelo que se passa na cabeça da outra pessoa.

Mas há momentos em que queremos muito controlar tudo! Achamos que o outro é que não está a corresponder às nossas expetativas e não lhe damos espaço para ser ele, para decidir e fazer o seu caminho sozinho. Outra vezes temos vergonha dos outros e como temos dificuldade em aceitá-los queremos que eles mudem.

Sei que só me respeito a mim e ao outro, se tiver coragem para o largar e confiar que a vida trará o melhor para ele e para mim. Sei que não tenho de ser responsável pelos comportamentos dos outros. No entanto, este caminho é muito difícil… por vezes sou teimosa e quero controlar tudo. A coisa boa é que estou desperta para esta questão e há algumas vezes em que já me consigo policiar. Tenho travado algumas lutas interiores.

Esta questão de aceitar os outros como eles são, não significa que eu acate tudo o que o outro quer. É aqui que entra o respeito por mim mesma. Eu posso não estar disposta a ouvir e a fazer determinadas coisas, a ser de determinada maneira. Para isso é preciso coragem para falar sobre isso e para me aceitar tal como sou. Somos responsáveis pelas nossas escolhas. Mas isto dá trabalho, é cansativo e há alturas em que apetece desistir porque é difícil escolher-me a mim e usamos muitas desculpas para não o fazer.

Caio muitas vezes nas mesmas situações, principalmente naquelas em que já tomei consciência, mas acredito que este caminho me levará a algum lado e cada vez que caio aprendo mais alguma coisa. Ora, se eu tenho de fazer o meu caminho e sei que tenho de cair algumas vezes para aprender, também tenho de deixar os outros fazerem o deles e deixá-los cair as vezes que forem necessárias, porque só assim vão aprender e evoluir.

Haveria muito mais para falar sobre os relacionamentos, mas acho que o que aqui está já me vai dar o que pensar! Às vezes a vida não é nada daquilo que estávamos à espera, mas Deus tem sempre algo melhor para nós, basta confiar.

Se sentirem que sim, partilhem comigo as vossas experiências. Serão bem vindas, afinal é nos relacionamentos e nas partilhas que nós também aprendemos!

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