Escolhas, porque temos medo de as fazer?

Ao longo deste meu caminho de autodescoberta tenho-me deparado com a questão das escolhas. Porque temos medo de as fazer? Porque escolhemos viver na infelicidade, quando poderíamos fazê-lo de uma forma mais feliz? Tenho momentos de verdadeira preocupação perante um momento de escolha. No fundo, acho que esta preocupação é simplesmente medos disfarçados. Deixo-vos aqui a minha perspetiva sobre esse assunto das escolhas.

Tenho medo de arriscar escolher o que me faz feliz, medo de errar, medo do que os outros vão dizer, medo de não fazer a escolha certa, medo de decidir algo e depois arcar com as consequências dessa escolha. Após ter tomado consciência disto, decidi escolher vencer o medo diante das escolhas. Medos todos temos, eu tenho muitos, mas escolho mudar este padrão.

Este não é um tema que sinta muito prazer em escrever, pois toca diretamente nas minhas emoções e na minha vida, mas é por isso mesmo que o vou fazer. Só quando encaro os meus problemas é que consigo ultrapassá-los.

Quer eu queira quer não, estou constantemente a fazer escolhas. Eu às vezes fujo de as fazer, mas até isso é uma escolha: fugir. Nem sempre as quero fazer porque é difícil assumir a responsabilidade do que escolhi. A maior parte das escolhas que faço não são conscientes e treinar a Mente a estar consciente das escolhas é complexo. Por isso, é mais fácil andar em piloto automático, só para não sentir a culpa das escolhas.

Pedir ajuda aos outros para que estes escolham por mim é outra estratégia. Pedimos conselhos, partilhamos a nossa história, na esperança de que o outro me dê uma pista ou uma ideia do caminho que devo seguir. Arranjamos imensas desculpas para nos convencer que não conseguimos fazer certas coisas e que não somos capazes de chegar onde tanto gostaríamos. Preocupamo-nos tanto em ouvir o outro que nos esquecemos de nos ouvir a nós mesmos. É certo que, quando paramos para sentir, percebemos aquilo que nos faz feliz e o que não faz. Perco-me de mim mesma quando dou demasiada atenção à opinião dos outros.

Todas as escolhas estão certas e se as fazemos é porque precisamos de aprender alguma coisa. Lidar com a vergonha, a culpa ou o medo do que pode vir a acontecer a seguir é que é pior! A nossa capacidade de fazer escolhas é uma das maiores ferramentas que temos na vida e a melhor maneira de o fazer é parar para sentir qual é a escolha que me faz feliz. Amar-me é aceitar as escolhas que fiz, sem recriminação, pois quando as fiz foi aquilo que consegui fazer naquela altura. Nem sempre me sinto assim… assumo que me culpo muitas vezes, isto tem a ver com a autoestima, como já vos falei noutro post.

Quando observo as crianças pequenas, percebo que elas não têm dificuldade em escolher. Sabem perfeitamente o que querem e o que não querem. Escolhem estar bem dispostas junto de quem as cativa e choram perante a energia de alguém que não lhes agrada. Não fazem sorrisos “amarelos” só para agradar aos outros e não estão muito preocupadas com o que vão pensar delas no momento da birra. Onde é que nós perdemos este poder de escolher? Se calhar, perdemo-nos de nós mesmos a partir do momento em que demos mais atenção à opinião dos outros e não ao que sentimos que nos faz feliz.

Em algum momento da vida, todos sentimos pressão para sermos o que era esperado de nós. Não interessa quais eram as expetativas, é certo que todos nós tentámos cumpri-las em algum momento da nossa vida. E o foco virou-se para os outros. Agradar aos outros mais do que a nós mesmos. Mas há um momento em que percebemos que nunca iremos agradar a toda a gente. Esta tomada de consciência liberta-nos para escolher e nos aproximar de quem somos verdadeiramente, mesmo que não agrade a quem está à nossa volta.

Sem darmos conta, somos obrigados a fazer um enorme número de escolhas todos os dias. Por exemplo, eu sei perfeitamente que há alimentos que me fazem mal e no entanto ainda escolho comê-los, porque me é difícil abdicar deles. O meu corpo, a seguir, manifesta-se e queixa-se. Porque é que eu continuo a escolher comê-los? Desenraizar certas coisas é difícil e é necessário muita persuasão e dedicação a nós mesmo.

Às vezes sou uma pessoa bastante indecisa e as minhas emoções entram em conflito. Mas já fui pior! Tudo é possível e tudo se aprende. O meu lado mais consciente anda mais atento e quando entro na espiral do medo e do pessimismo, já há uma luz que me guia a ver o lado positivo.

Mesmo que eu tenha medo de errar, não quero ficar pelo caminho. Ando a convencer a minha Mente que não há certos nem errados, há escolhas e aprendizagens feitas em tudo o que fazemos e observamos. Ora, se eu aprendi alguma coisa e evolui, o que aconteceu foi positivo de alguma forma. A vida é um caminho com riscos, se aceitarmos isso, se ficarmos em paz com o fato de que as escolhas menos boas são importantes para a nossa evolução, somos mais felizes!

Escolhas conscientes, vamos a isso! Hoje escolho ser um bocadinho mais feliz!

2 thoughts on “Escolhas, porque temos medo de as fazer?

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