Momentos de introspeção

Há momentos na vida em que as coisas me acontecem e eu não compreendo porquê. Isso acontece até um certo ponto, em que é inevitável olhar para dentro e ver. Depois de uma amiga me ter colocado questões como: “De que é que tens medo, o que é que não estás a escolher?”; “Do que é que te escondes?”; O que há aí dentro de ti que não queres ver?”; “Do que é que tu não gostas em ti, neste momento, e te anda a torturar?”, percebi como necessito de um momento de introspeção.

Quando estas questões me foram colocadas, e desde já agradeço à voz que o fez, as respostas que dei foram focadas apenas numa questão que me estava a preocupar na altura, mas nós somos como as cebolas, feitos de camadas. Só passado alguns dias consegui perceber as verdadeiras respostas a estas perguntas. Os acontecimentos da vida esmagam-nos de tal forma que só quando quebramos conseguimos ver, verdadeiramente.

Tenho lido muitas coisas sobre amor-próprio e até já escrevi sobre isso aqui. No entanto, hoje, percebo mais do que nunca que nós temos espaços. Só consigo preencher o meu espaço com amor quando este estiver vazio de outros sentimentos como raiva e ódio. Enquanto eu andar a tentar empurrar o amor para dentro e não libertar a raiva que tenho de uma vida inteira e até de outras vidas, ele não entra. Limito-me a camuflar um pouco o que sinto e mais tarde ou mais cedo vou voltar ao mesmo.

Sinto que não sou livre, que estou presa a condicionamentos, a maneiras de ser que ganharam raízes, a medos e a crenças que prevalecem. Tenho de ganhar coragem para olhar para eles.

Há uma voz cá dentro que quer sair e pelo caminho tem encontrado muitos obstáculos. Ainda há muito que eu não quero ver e esses são os obstáculos que encontro no caminho da minha liberdade interior. Estou cansada da busca constante pelo certo, porque há algo que a minha Mente teima em não ver… tudo é certo. Nunca há nada errado.

Preciso de fazer um momento de introspeção e ver a raiva e o ódio acumulados, porque é isso que eu nunca consegui libertar, é isso que ando a esconder de mim e não quero ver. Escondo-me sempre atrás da menina certa e perfeitinha que não se revolta, nem se excede. Vou inverter o caminho, vou tentar caminhar por outro lado. Estar presa a velhos padrões limita-me, preciso encontrar a liberdade de ser outra coisa, que também existe cá dentro. Preciso encontrar a minha verdade. Somos treinados para evitar estados de dor, angustia, sofrimento… para eu me poder aceitar, primeiro tenho de ver quem sou eu agora.

Até aqui tenho tentado encontrar soluções, agora vou olhar para o problema e limitar-me a vê-lo, a compreendê-lo e a estar com ele, ver onde sou vulnerável.

5 thoughts on “Momentos de introspeção

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