Metamorfose

Nos últimos dias tenho-me permitido ter alguns momentos de introspeção para perceber o que tanto escondo de mim mesma. Depois de me ter colocado algumas questões, como vos escrevi no post anterior, acho que dei início à minha verdadeira metamorfose. Isto significa que dei início a mais uma mudança interior. Espero não lhe fugir, espero ter força para a olhar de frente e lhe dar continuidade.

Para compreender como é que o meu ser está impregnado de sentimentos densos regressei à infância e fui registando os momentos que me vinham à cabeça. Para além disso, fiz uma lista de respostas às perguntas: “Porque me odeio tanto?” e “Quais as raivas acumuladas desde a infância?”.

É assustador a quantidade de coisas que escrevi e outras tantas que me vieram à memória. Elas estavam guardadas no Subconsciente e eu não me lembrava delas. A Mente não as queria ver porque eram dolorosas e o Subconsciente protegeu-me guardando-as, para não voltar a sentir aquela dor. Só que os estímulos externos vão existindo e chega a uma determinada altura que é inevitável.

Para além de ver lixo e mais lixo guardado debaixo do tapete, também vi uma Guida cansada, que só lhe apetece ficar quieta no seu canto. Exausta de tentar compreender o que está errado e farta da busca pelo certo, sem nunca o encontrar. Chega de tanta procura…

Na maioria das vezes engulo a raiva que sinto de certas coisas, e acho que acabo por ficar sufocada por ela. A vida testa-me e eu não reajo, parece que fico dormente. Há um padrão que se repete. Na maior parte das vezes só depois de algo ter acontecido é que eu me apercebo que não reagi, que devia ter-me manifestado. Percebi que eu sempre quis muito ser a pessoa certinha e perfeitinha. No entanto, esta energia não pode prevalecer sempre. Há momentos em que temos de dar um murro na mesa. Eu tenho o direito e a liberdade de me revoltar, porque não o faço?

Acredito que tudo vem da infância. Tudo o que fazemos repetidamente torna-se um hábito. Os adultos passam-nos uma imagem daquilo que nós devemos ser e guiam-nos no caminho da vida. E como crianças, somos moldáveis e queremos estar “à altura” daquilo que esperam de nós. Mas não conseguimos, porque ninguém é perfeito. Surge a frustração, a raiva, o ódio, o ressentimento e o medo. Ao longo dos anos vamo-nos tornando mestres destes sentimentos, mas isto não tem de ser assim toda a vida.

Existiram vários acontecimentos na minha infância que me ensinaram a fechar-me, a fingir ser algo que não sou, a não demonstrar o que sinto, porque os outros não vão acreditar e vão-me olhar de maneira diferente. A isto juntei crenças e vergonhas. Várias vezes achei que não era compreendida e deixei de manifestar as minhas revoltas e raivas, guardei-as e camuflei-as. Tornei-me uma pessoa carente na constante procura da aceitação por parte do outro, no amor do outro, numa procura incansável no exterior daquilo que me poderia preencher.

Não quero mais ser esta e para isso estou disposta a mudar, mesmo que tenha de olhar para as situações mais dolorosas. Estou a permitir-me sentir o que anda cá dentro guardado e que dói, que é feio, mas que contribuiu para eu ser esta que sou hoje.

Para me poder aceitar tal como sou e escolher-me tenho de me permitir sentir, novamente, as questões que vivi, como se elas fossem mesmo reais. Ao senti-las na pele estou a abrir espaço para que elas sejam entendidas, hoje com outros olhos, e se dissolvam. Não é fácil aceitar sentir o medo de não ser compreendida, não é fácil sentir a raiva, o ódio e o medo camuflados do passado. Mas quanto mais me permito senti-los, mais eles perdem tamanho, mais se evaporam, mais se transmutam e dá-se a metamorfose.

Tal como a lagarta se  transforma em borboleta, também nós nos podemos transformar. Com esforço, dedicação e paciência deixamos de ser lagartas e passamos a ser borboletas.

Vou continuar este caminho. Não está terminado, muito pelo contrário, está sempre a iniciar-se.

5 thoughts on “Metamorfose

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    1. As mudanças interiores são complexas e fazem-nos olhar para nós próprios com olhos de ver. Todo este processo é doloroso e é necessário muita persistência da nossa parte. É mais fácil fugir. Muitas vezes não quero ver e iludo-me achando que já superei ou que já ultrapassei certa situação. Vivemos um pouco na ilusão porque é mais confortável. Percebi que não tenho de viver sempre no sofrimento, mas tenho de o compreender e ultrapassar. Por natureza, queremos que tudo isto se faça rapidamente e isso não é bem assim. Não desistas de ti! Ama-te muito! Abraço

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