Há o que a vida me dá e há o que eu faço com isso

Há o que a vida me dá e há o que eu faço com isso, estas são duas forças que definem quem eu sou. Por mais situações que a vida me possa trazer para eu aprender e evoluir, como ser humano, só eu posso fazer a escolha de mudar, de estar atenta, de estar consciente e de não deixar desmoronar este trabalho tão pessoal comigo mesma.

Todo este caminho de tomada de consciência de quem sou eu, do meu passado, daquilo que não me agrada e do que eu gostaria de reprogramar, fez-me descobrir que sou uma pessoa muito mental. A Mente são os nossos pensamentos e eles na minha cabeça não param. A par destes pensamentos surgem os medos, que foram sendo cultivados ao longo da minha vida e que nesta altura ganharam a sua proporção.

Após uma conversa com um terapeuta de Ayurveda, do Instituto de Medicina Ayurvédica, fiquei a conhecer um pouco mais da minha constituição e automaticamente da minha maneira de ser. Ouvi coisas que já sabia e ouvi outras que foram uma novidade. É sempre bom ouvir uma vez mais algo que já se sabe, pois é na insistência que há transformação.

Durante este mês, ou grande parte dele, decidi compreender de onde vinham alguns sentimentos de raiva e ódio que sentia e dedicar-lhe algum tempo. Olhei para o meu passado e vi muitas situações em que aprendi a não exteriorizar as emoções e as sensações que estava a sentir. Ao longo de todos estes anos fui construindo uma pessoa que se aniquilou mediante certas expetativas e isso implicou que eu deixasse de existir em prol do outro. A cada dia que passa descubro mais um destes momento. Desta forma, trago à consciência situações que estavam bem guardadas no Subconsciente, situações dolorosas e que me marcaram muito.

Cada vez que fico mais lúcida, mais consciente, transporto as coisas do passado para o presente, compreendo-as e aceito que elas aconteceram. Esta parte da aceitação ainda vai levar o seu tempo, pois sou bastante dura comigo mesma. No entanto, após esta tomada de consciência nunca mais sou a mesma, porque penso de outro modo e encontro uma justificação para as coisas de uma maneira diferente.

O meu corpo é a minha casa e eu preciso cuidar dela. Não basta alimentar bem, também é importante cuidar, nutrir com carinho e amor e respeitar. Obriguei o meu corpo, durante muitos anos a ir trabalhar com bastante dor e sei que nem sempre o ouvi e respeitei. Considero importante ouvi-lo quando ele se queixa, pois simplesmente me está a alertar para algo que não está bem.

Foi-me dado um exemplo sobre o corpo que me deixou a pensar bastante. Imaginem um terreno cheio de silvas (o corpo) que eu quero que dê algo produtivo. Então adubo o terreno (com uma alimentação saudável). Depois de adubado o terreno vai produzir ainda mais silvas, porque é aquilo que ele está a produzir. Então o que é que eu posso fazer? Para que o meu terreno dê frutos tenho de o lavrar, tenho de o cuidar, tenho de o tratar. Só depois disso é que posso semear outras coisas para que elas cresçam.

Com o corpo passa-se exatamente a mesma coisa. Não basta dar-lhe uma boa alimentação, é preciso cuidar, amar e respeitar. Isto leva-me a pensar quantas vezes tomo banho a correr, passo creme num instante e nem me olho ao espelho. Quantas vezes o ignoro e não ligo àquele mal-estar, não respeitando os seus limites.

Há coisas que eu já sei sobre mim, há coisas que são benéficas e outras que teimo em não aceitar. A vida tem-me trazido muita informação para eu me poder transformar, a grande questão passa por: o que é que eu faço com isso…

Há um lado meu que por vezes não quer ver mais aquelas situações dolorosas, só quer ficar sossegado e fazer de conta que está tudo bem, na mesma. Escrevi sobre isso no post passado, quando me referi à ingenuidade e como ela nos é útil. Por vezes, apesar de eu ter a verdade à frente dos olhos não significa que eu a veja, ou que eu a queira vez. É necessária muita persistência da minha parte para não fugir do caminho.

O meu lado consciente não quer fugir, mas o meu lado mental muitas vezes quer. Tenho de o educar como se fosse uma criança pequenina e aos pouco ele chega lá. Pelo menos eu quero acreditar que sim.

4 thoughts on “Há o que a vida me dá e há o que eu faço com isso

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    1. Olá Ana, é muito fácil esquecermo-nos de nós. Fomos educados a achar que o outro é mais importante. Agora é fazer o trabalho inverso e amarmo-nos muito. Isto parece fácil, mas nem sempre amamos aquilo que realmente somos e fomos. Primeiro temos de olhar para as nossas “feridas”, cicatrizá-las e depois é que as podemos amar. Beijinhos

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