Laços de família

Como alguns familiares mais próximos estão a viver noutro país, estes últimos dias têm sido passados junto deles. A criar laços, a apertar alguns já existentes, a ajeitar outros e às vezes até a refazê-los. Nós crescemos e saímos de casa dos pais e há momentos em que nos juntamos todos de novo na mesma casa. Estes encontros são sempre positivos, têm altos e baixos e servem de aprendizagem. Nós é que nem sempre o conseguimos ver. O que é que a nossa família tem para nos ensinar?

Viajei até ao Luxemburgo e tenho estado a desfrutar das energias em família. Eu acredito que os elementos que compõe a nossa família não existem ao acaso. A família é o porto de abrigo para alguns e o ponto de stress para outros. Cabe-nos a nós escolher de que maneira encaramos os desafios familiares.

Numa primeira abordagem, estar com familiares que, por natureza, estão longe de nós é positivo pois as saudades apertam e é muito bom revê-los. Por outro lado, cada um de nós tem as suas rotinas e nos momentos de reuniões familiares, em que se passam muitas horas juntos, podem surgir alguns atritos.

Nem sempre fui uma pessoa atenta aos comportamentos dos outros. Sempre tive muita energia e na maior parte das vezes passava-me muita coisa ao lado. Ou seja, nem reparava nas atitudes das pessoas. Ultimamente, tenho tentado observar mais e intervir menos e com isto tenho aprendido muito sobre comportamentos. É interessante observar como as pessoas são, quando são os seus Egos a falar, ou as suas Mentes a agir. Faz-me ter uma perceção diferente da vida e rever comportamentos meus nas outras pessoas.

Por vezes criamos uma imagem dos nossos pais ou irmãos e é nestas alturas, de reuniões familiares, que compreendemos que por vezes criamos ilusões ou por outro lado somos surpreendidos positivamente. Mais importante do que isso é termos a coragem de olhar sem filtros e ver que realmente aquela pessoa tem certos comportamentos e é de determinada maneira.

Não existem famílias perfeitas, mas elas também não são imperfeitas. São núcleos onde podemos pôr em prática a lealdade, a fidelidade, a tolerância, o desprendimento, o respeito e a comunhão de sentimentos. A família é uma escola. Será que a vemos como tal? Eu acho que a maior parte de nós não. Se nos questionássemos sobre o que temos a aprender com o comportamento de certo familiar, ao invés de falarmos mal dele, se calhar teríamos mais frutos e viveríamos melhor. No entanto, esta é uma tarefa dura e dolorosa.

Podemos ver a família como um grupo de pessoas que se reuniram para resolver alguns questões importantes para o seu desenvolvimento. Estas ligações familiares por vezes podem vir de outras vidas e se conseguíssemos compreender o que temos a ultrapassar com cada familiar, devido a situações desconhecidas de vidas passadas, tudo seria mais fácil.

Como não estamos habituados a ver a família como um grande meio de aprendizagem, geram-se conflitos que em vez de resolverem o que já existe ainda complicam mais. Viver em família é saber amar, saber partilhar, saber respeitar, saber dizer basta e também saber perdoar. É saber dar aquilo que não nos foi dado emocionalmente, é abraçar e sentir a energia daquela pessoa, é aceitar que escolhemos nascer naquele meio e que todos juntos temos muito que aprender uns com os outros. Será isto e muito mais, depende da visão de cada um.

Eu, pessoalmente, sei que tenho muito a aprender com os meus familiares. Só há pouco tempo é que os comecei a “ver”. É mais fácil viver na ilusão, fazer de conta, não olhar para mim e para o reflexo que o outros fazem dos meus comportamentos. Há momentos em que surgem sentimentos mais densos, pois a maior parte das nossas questões em adultos surgem das marcas da infância e a educação que nos foi dada, mas há outros de perdão e amor.

A família é o cenário perfeito no qual fomos inseridos, porque proporciona a hipótese de crescer, de evoluir, de aprender. Todas as pessoas da família tem a sua função para connosco, principalmente, aquelas com quem temos maior atrito, e nós para com elas.

Sou grata pela minha família e comprometo-me a olhar para ela e a ver as suas facetas boas e menos boas para que nada fique para trás. Ou seja, para que eu desenvolva a necessidade de amar incondicionalmente, a necessidade de desenvolver a paciência, o respeito, a dedicação e até a renúncia.

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