Fuga aos problemas

A fuga aos problemas é uma estratégia que uso, e acho que todos usamos das mais variadas maneiras. Na verdade, acho que ela é bastante inconsciente, e só se torna consciente quando percebo que, por mais que eu fuja de certas situações, enquanto a aprendizagem não for feita essas situações continuam a surgir mas noutros moldes.

Quando falo em fuga, refiro-me simplesmente a deixar para amanhã o que poderia fazer hoje, ir de férias e deixar os problemas todos por resolver (muitas vezes não por nossa escolha), mudar de cidade ou mesmo afastar-me de determinadas pessoas que me causam desconforto de alguma forma. Por mais que eu tente fugir, enquanto eu não fizer a aprendizagem que deve ser feita, essas situações vão continuar a repetir-se.

O meu dia-a-dia estava a ter uma cerca cadência e entretanto ausentei-me do país e fui visitar alguns familiares. Durante o período em que me ausentei foram desaparecendo da minha Mente algumas preocupações com situações que iam acontecer num futuro próximo. Enquanto estive uns dias a viver noutro país, rodeada por pessoas que normalmente não fazem parte de meu quotidiano e cheia de situações novas, esqueci todas as outras. Durante este tempo fiz várias aprendizagens, tive consciência de determinadas situações e também tive que enfrentar desafios. Mas esqueci o resto…

Ora quando regressei, foi como se todos os outros desafios (sim, eu prefiro chamar-lhes desafios a problemas!) que eu deixei pendentes estivessem ali, paradinhos à espera que eu regressasse. No entanto, em vez de aparecerem um de cada vez, apareceram em grupo e deram-me os bons dias!

Tudo isto acontece numa altura de transição. Ou seja, nas últimas semanas, mais propriamente 21 dias, estive a trabalhar algo em mim relativo à raiva, ódio e outros sentimentos semelhantes mas imensamente densos, como escrevi nos posts: “Metamorfose“, “Há o que a vida me dá e há o que faço com isso” e “Ingenuidade“. Ontem cheguei ao fim desses 21 dias. Durante este tempo registei num caderno todos os momentos em que senti raiva de alguma forma, desde a infância até aos dias de hoje. Raiva dos outros e raiva de mim.

Apercebi-me de muitas situações que o meu Subconsciente guardou religiosamente e que aos pouco a minha Memória foi trazendo ao meu Consciente. Neste momento, olho para trás com mais serenidade, pois tive a coragem de ver e voltar a sentir todas aquelas situações. Acredito que possam existir outras que não vi, mas a seu tempo elas aparecerão.

Hoje comecei um novo trabalho de 21 dias: o medo. Nos próximos dias, vou voltar à infância e tentar aperceber-me das situações em que o medo prevaleceu, voltar a senti-las e a compreendê-las. Este trabalho traduz-se numa transmutação de energia e passo a encarar os medos de outra forma. Como a vida é perfeita, hoje foi um dia de encarar situações que me provocavam algum medo: medo da exposição, medo de ser rebaixada de alguma forma, medo que as coisas corressem mal, medo de ter de falar com os outros para resolver algumas questões.

Assim que me levantei o meu coração estava inquieto. Sentei-me no chão foquei-me na respiração, tentei acalmar-me. No entanto, a ansiedade prevalecia. Enquanto fazia o trajeto de carro disse para mim mesma que não precisava de estar assim, estava tudo certo e iria acontecer o que fosse necessário acontecer. A estrada por onde eu tinha de passar estava cortada e tive de ir dar uma volta maior. Uma raiva súbita apareceu e fez-me explodir. Falei em voz alta no carro e reclamei daquilo que ia fazer, porque nada daquilo me era necessário. Foi quando fiz isso, quando deixei sair, que percebi realmente o que se estava a passar. O meu Consciente falou mais alto e disse que  se eu estava naquela situação era porque precisava dela sim! Por isso, em vez de me estar a queixar podia olhar para ela com outros olhos, encarar o medo e finalmente fazer algo que durante anos não tive coragem de fazer: enfrentar pessoas que me intimidavam de alguma forma.

Uma nova energia surgiu em mim, o meu estado de espírito mudou e senti-me mais forte, capaz de enfrentar o grande dia, cheio de desafios, que tinha pela frente. Neste momento sinto-me casada, pois ao longo do dia tive que resolver várias situações. Mas preenche-me um estado de plenitude, pois tive coragem de as enfrentar e ter ação sobre elas. Correu tudo melhor do que eu esperava.

Não vale a pena fugir de certas emoções e de encarar os meus medos, pois quando o faço é me devolvida uma paz inexplicável. Este foi um bom dia para começar a trabalhar a emoção do medo! Para além disso consegui ver o lado positivo de tudo o que me aconteceu.

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