Desapego

Numa altura em que estou a olhar para os meus medos e a compreendê-los, apareceu a oportunidade de olhar para a questão do desapego. Na vida nada é por acaso e este fim de semana uma amiga de faculdade chegou até mim com esta questão. No fundo, o despego está inteiramente relacionado com o medo. Decidi investigar um pouco sobre este tema e ver como ele me afeta, pois se ele chegou até mim por algum motivo é.

O medo prende-nos à matéria, ao bens materiais, aos relacionamentos, aos outros. O medo faz com que cultivemos o apego como o nosso mais fiel animal de estimação. Quanto mais medo sinto de algo mais me apego. Hoje, depois de já ter percorrido um determinado caminho, sei que o desapego é precioso, mas também sei que tenho muito a aprender e a desenvolver sobre este tema.

Eu associo a palavra desapego a libertação de algo, logo implica abrir mão de alguma coisa ou de alguém. A primeira coisa que penso quando percebo que me tenho de desapegar é largar por completo. Com alguns objetos até pode parecer fácil, com as pessoas é muito mais difícil. Depois de ler um artigo sobre isto, percebi que não é bem como eu estava a pensar. Praticar o desapego não significa necessariamente abrir mão de tudo o que é importante, romper vínculos afetivos ou relacionamentos pessoais com aqueles que fazem parte do nosso dia-a-dia. Isto deixou-me a pensar…

“Desapego significa saber amar e se envolver nos relacionamentos com uma visão mais equilibrada e saudável, libertando-se dos excessos que o prendem.”

Libertar-me emocionalmente daquilo que me aprisiona carece de tempo, paciência e treino. Há alturas em que não tenho nenhuma destas três disponibilidades, não tenho ou não quero ter. Mas hoje não é dia de fugir e há coisas a registar no meu Consciente:

Sou inteiramente responsável  por mim mesma, logo não posso responsabilizar os outros pela minha felicidade. Isto significa que para eu ser feliz não é necessário encontrar o parceiro ideal, ter o reconhecimento de toda a família ou estar sempre dependente da opinião alheia para fazer algo. Devo consciencializar-me das minhas escolhas e respetivas consequências.

Só posso viver no presente e nada nesta vida é eterno. Nada permanece sempre igual. Deixar de estar focada no passado e saber perdoar vai-me trazer uma liberdade e uma libertação inexplicável. As perdas irão acontecer mais tarde ou mais cedo. Muitas vezes os bens materiais, os relacionamentos e até a vida acabam por desaparecer como fumo no ar.

Devo libertar-me e permitir que os outros também sejam livres. O desapego significa que não posso assumir a responsabilidade pela vida dos outros. Eu não sou responsável pelo caminho dos outros, pois eles terão de passar por todas as experiências que necessitam de passar. Nem tenho que viver segundo os princípios que os outros me queiram impor.

Depois de escrever isto tudo a minha Mente ainda ficou mais inquieta! Porque tenho sempre a sensação que largar é perder. As pessoas vão embora, alguns amigos desaparecem, perdem-se amores, trocamos de objetos… tudo faz parte do desapego. Tenho de aprender que isto é normal e que posso enfrentar estas situações com tranquilidade e coragem. Nós vivemos na mesma, as mudanças e as transformações vão doer, mas é possível sobreviver a certas situações.

Escrever este texto está ser muito importante para mim. Nada disto já está completamente enraizado em mim. Aliás os medos andam todos à solta, mas eu preciso tomar consciência destas verdades. Registá-las foi mais um processo. Observar o meu sentimento em relação àquele objeto ao qual estou presa ou em relação àquela relação à qual estou presa é muito importante. É aí que vou conseguir compreender porque é que eu travo e não consigo libertar. É mais uma forma de eu me conhecer.

6 thoughts on “Desapego

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  1. Gostei imenso do post. Acho que o desapego é necessário para sermos funcionais na nossa vida, mas como em tudo, com conta peso e medida. Se for desapego a mais, a pessoa pode também tornar-se fria e distante. Com as coisas é fácil e saudável, pois temos de ter consciencia que não possuímos nada físico sem ser o nosso corpo. Com as pessoas, como dizes, é mais complicado, e nesse caso, o apego tem a sua função de nos relacionarmos e mantermos o nosso círculo social e as nossas relações afectivas e capacidade de amar, saudáveis.

    Cláudia

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