O maior desafio de sempre

Nos últimos dias vivi o meu maior desafio de sempre. Adiei a verdade durante meses a fio, ignorei os sinais, não liguei às vozes do meu instinto, não queria ver nem aceitar no que a vida me andava a mostrar, não me escolhia a mim e a dor cada vez era mais insuportável.

Decidi afastar-me de alguém que amo muito porque percebi que esta foi a melhor escolha que podia ter feito. A minha Mente diz-me o contrário e está muito revoltada comigo. Como me posso afastar de alguém que amo e que quero perto de mim? Há um lado meu que sabe que fiz a escolha certa, há outro que me recrimina porque se questiona como é que a coisa certa é afastar-me daquele com o qual tenho uma ligação inexplicável.

Devido às minhas escolhas a vida foi me empurrando, esmagando e apertando contra mim mesma. Os medos cresceram, viraram monstros e todos os dias me consumiam mais um pouco. Até que chegou um momento em que eu já sabia que não havia volta a dar. Por mais voltas que eu desse, por mais que eu tentasse ver as coisas de outro prisma, a verdade estava ali, sempre esteve, mesmo à frente dos meus olhos. Eu sabia que nos tínhamos de afastar.

Sinto que qualquer escolha que eu fizesse só caminhava para o perder, então arrisquei tudo e a decisão foi unanime. O meu egoísmo não podia permitir manter alguém ao meu lado só porque me dá conforto, amor, segurança e me preenche muitas lacunas que tenho de amor-próprio.

Foi tudo tão rápido, a lucidez no meu cérebro era tão nítida, que eu nem queria acreditar que estava a fazer aquilo. Um misto de sensações invadem o meu ser. Dor, medo, tristeza, angustia, solidão e um alívio por estar a fazer a coisa certa.

Ele foi embora e ficou um vazio que não se preenche. O choro não me liberta da dor e por mais que chore a dor não desaparece. Percebi que devia ter feito isto há mais tempo, mas não consegui. Não consegui porque a nossa energia era tão envolvente e o medo de o perder era tão grande que todas as outras coisas em que me devia escolher se dissipavam e eu não fazia nada. A noite caiu, a casa ficou vazia e o meu vazio também aumentou. Sinto-me só e zangada comigo mesma. Não queria estar sozinha, mas rodear-me de pessoas seria camuflar a minha dor. A dor de largar a mão do outro e deixá-lo ir.

Nunca pensei que fazer a escolha certa custasse tanto, fosse tão duro. Mas depois de perceber que este meu egoísmo e este meu medo de o perder nos estavam a afastar cada vez mais, decidi que estava na hora de parar, de enfrentar a realidade e de reconhecer que a minha intuição sempre me disse o que tinha de fazer.

Se estou a resistir, vou continuar a atrair mais do mesmo. Então está na hora de largar. Há determinadas escolhas que fazemos, que fazem com que as coisas se degradem, mesmo que as pessoas se amem muito.

Pela primeira vez escolhemos o amor e não o medo. Todas as escolhas que fizemos no passado tinham o medo a comandar. Neste momento escolhemos o amor, porque se ficássemos juntos íamos viver no medo e na sombra das nossas escolhas e inseguranças.

Cair dói sempre e agora tudo parece o fim do mundo. Aos poucos vou conseguir levantar-me. Vou acreditar em mim e enfrentar os meus medos porque tudo aquilo a que resisto persiste e eu não quero continuar a resistir. Eu não sou perfeita e não é uma vergonha o que estou a fazer, mesmo que um lado meu ache que sim. Pela primeira vez escolhi o amor e não o medo, pela primeira vez escolhi-me a mim.

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