Tempo

A noção de tempo é relativa. Por vezes acho que o tempo é meu inimigo porque ou me falta tempo ou o tempo nunca mais passa. Sobre o tempo tenho tanto para refletir, já vontade de olhar para lá é outra história. Eu conheço um tempo que meço em anos, meses, dias… mas também conheço outro. Um tempo que é visto não como uma linha, mas como um plano em que tudo acontece e aquilo que eu faço hoje interfere, de alguma forma, com o passado e, de forma significativa, com o futuro.

Visualizo-me num plano a fazer escolhas, como se fosse uma pequena marioneta e por cima de mim encontra-se um ser bem maior que eu. Há medida que eu vou fazendo escolhas ele vai desenhando as linhas do meu caminho. Este ser quer o melhor para mim, mas eu tenho algum livre-arbítrio. Então ele é paciente e espera que eu lá chegue, devagar, rápido, às cabeçadas… às vezes fica irritado, porque os indícios do que tenho de fazer são tão óbvios que ele não percebe como eu não os vejo.

Outras vezes eu baralho tudo! Decido uma coisa e o caminho aparece, mas os medos e as incertezas fazem-me voltar atrás na decisão, então outro caminho se desenha. Ora se eu andar constantemente indecisa ou cheia de medos, das consequências daquilo que eu quero, é um problema. Por vezes, quero muito uma coisa mas tenho tanto medo de não a conseguir que não acontece nada, sou eu que barro o meu próprio destino e baralho o Senhor do Tempo!

No último mês surgiu-me a oportunidade de fazer uma formação que estou a gostar muito. Esta formação veio-me ocupar muito tempo que eu destinava para outras coisas que me davam muito prazer. Apesar de gostar do que estou a fazer, sinto-me prisioneira. Depois dos primeiros dias de formação, percebi imediatamente uma aprendizagem que estava a fazer: valorizar aquele tempo que eu tinha para me dedicar a mim mesma. Várias memórias vieram ao meu Consciente com a permanência nesta formação. O tempo em que eu era professora e vinha para casa cheia de trabalho e ainda arranjava mais trabalho. E justificava a mim mesma que aquilo era necessário e que só poderia ser assim. Sou tão limitadora da minha abundância, de vez em quando…

Hoje reconheço e agradeço o tempo que já tinha para cuidar de mim e para fazer aquilo que realmente gosto e percebi o que não quero para mim no futuro. Não quero uma vida regida obrigatoriamente por horários densos e pouco flexíveis. Esta questão também tem outra faceta. Será que eu aproveito o tempo que tenho da melhor forma? Muitas vezes não.

Ao olhar para mim tenho percebido como me é fácil fugir daquilo que tenho realmente de fazer. Por mais que eu saiba que há coisas que tenho de fazer, fujo delas dedicando-me a outras tarefas menos importante. Ao reconhecer isto tenho tentado priorizar coisas na minha vida, às vezes consigo outras não. Por vezes já reconheço que estou a fugir e então tento enfrentar a situação. Depois de terminada a tarefa, da qual andava a fugir, há uma sensação de paz. Mais tarde, volto outra vez a cai no mesmo erro, mas a vida é mesmo assim: cair, levantar, cair, levantar… e ganhar uma nova consciência.

O passar do tempo assusta-me? Boa pergunta. Assusta no sentido em que ainda gostava de passar pela experiência da maternidade. Assusta quando me olho ao espelho e vejo algumas transformações que antes não via. Assusta sempre, nem que seja um bocadinho. O meu lado Consciente sabe como é importante a maturidade e o tempo é meu aliado nesse aspeto. Gosto da Guida que sou hoje e só o tempo e a experiência proporcionaram esta que eu estou a aprender a amar.

O que é que o tempo me tem ensinado? Tanta coisa… a esperar, tenho muita pressa que tudo se resolva e às vezes não faço nada para que tal aconteça, ou precipito-me quando não devia! Também me tem ensinado como é importante dedicar-me a mim com muito carinho e respeito. Não considero isto egoísmo, mas sim respeito por mim mesma. Se eu me amar e respeitar serei uma pessoa muito melhor para com os outros. O tempo também me tem ensinado a observar, a respirar e a enraizar. A cuidar do meu corpo, a escutar o meu coração e a abraçar os meus desafios.

Não me quero esquecer que só vivo agora, no presente. Mas não considero o tempo como uma linha em que o que está para trás já foi e o que está para a frente ainda não aconteceu. Quando olho para trás, posso ver o passado com outros olhos, à luz das experiências que já adquiri até agora. Posso rever o que fiz, compreender, perdoar e transmutar a energia densa que ele transporta. Assim como posso construir um futuro com os meus pensamentos e ações do presente. Se isto é tarefa fácil? Não. Olhar para o passado traz dor, culpa, sofrimento, aceitação, perdão… e tantas outras coisas; olhar para o futuro traz medos, ansiedades, sonhos e expetativas…

Escolho viver agora e permitir-me olhar em todas as direções, independentemente do que isso me traga. A vida tem planos para mim, melhores do que aquilo que consigo imaginar. Mas sou eu que faço escolhas e delas advêm consequências positivas e negativas para esses planos. No entanto, não há escolhas erradas. A escolha que eu faço é exatamente aquela que eu preciso de fazer para aprender o que me falta. Por vezes eu é que não quero ver isso!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: