Arrumando a minha vida

Arrume a sua casa Arrume a sua Vida é um livro de Marie Kondo que comecei a ler há uns dias. No meio da azáfama de mudança de casa lembrei-me que há uns meses tinha comprado este livro e ainda não lhe tinha pegado. Achei que esta era a altura certa, pois neste momento de mudança estou a limitar-me a transportar os meus pertences de um local para outro. Para além da necessidade de arrumar a casa também tenho a necessidade de arrumar a vida.

Não tenho nada arrumado, muito pelo contrário, está tudo desarrumado. Esta desarrumação pela primeira fez está a saber-me bem. Sempre tentei ser arrumadinha, mas no fundo a minha vida às vezes era uma desarrumação. Quanto mais arrumava, mais tudo se desarrumava!

Cheguei ao meu novo espaço, peguei nos sacos e pousei-os numa divisão para mais tarde arrumar, peguei neste livro que já lá estava, sentei-me no sofá e respirei fundo. Estava tão cansada que nem conseguia pensar. Após alguns minutos só a usufruir do espaço, percebi como me sentia bem ali. Era capaz de me deitar e dormir algumas horas, com aqueles raios de sol a bater e aquela luz aconchegante a entrar.

Percebi que é importantíssimo sentirmo-nos bem no sítio que escolhemos para viver. Para a maioria das pessoas isto pode parecer óbvio, mas de início essa não foi a minha prioridade. Por vários motivos e também devido às crenças que trago da infância a primeira coisa a que dei importância quando saí a primeira vez, para ir viver num sítio só meu, foi o dinheiro. Não foi o merecimento, nem o prazer de me sentir bem.

Depois da experiência na minha primeira casa, achei que merecia mais, independentemente das condições que a minha Mente impunha. A minha intuição por vezes (ou sempre!) traz-me boa ideias, eu é que nem sempre lhe dou ouvidos. Apercebo-me da ideia que surge e depois coloco-a ali à frente dos meus olhos, mas não faço nada com ela. É como se fosse um vaso que coloco na janela e vou olhando para ele. Ultimamente, tenho tentado fazer alguma coisa às ideias que aparecem.

A vida dá muitas voltas, segui a intuição e cheguei até à casa onde estou agora. Acho que tenho alguma sorte e bons amigos também. Voltando à arrumação e à desarrumação… com a leitura do livro dei conta que quando tenho situações para resolver, em vez de as encarar de frente, arrumo o que está desarrumado, mudo as coisas de sítio ou invento alguma coisa para fazer. O engraçado é que por mais que arrume, mais dia menos dia está tudo desarrumado na mesma. Acho que a desarrumação também é interior. Achava que era só eu a sentir isto, mas depois de algumas páginas do livro lidas, percebi que há mais como eu!

Arrumar acalma a minha Mente quando ela está perturbada. A confusão que vejo em casa, ou em qualquer lado, ajuda a distrair-me da verdadeira fonte da desarrumação. No entanto, se eu tiver tudo arrumado, não tenho como me distrair com isso, logo não tenho alternativa a não ser observar o meu estado interior. Inconscientemente, vou causando desarrumação e assim mantenho-me ocupada. Desvio a minha atenção daquilo que realmente me preocupa. Ao dar conta disto, a minha Mente, esconde-se atrás do sofá a pensar “Fui apanhada!”.

Manter a minha Mente ocupada com as arrumações não me faz pensar que tenho saudades da pessoa com quem partilhava o dia-a-dia. Faz-me fugir e não pensar o que vai acontecer a seguir. Evita que eu sinta medo de uma série de questões que passam na minha cabeça. Na verdade, tudo isto são estratégias, na maioria das vezes inconscientes para não olhar para dentro e ver o que estou verdadeiramente a sentir, debaixo de toda esta agitação. Estaria a mentir se não dissesse que gostaria que tudo fosse diferente. Mas também não posso ignorar a minha responsabilidade em todo este processo.

A última noite que passei na outra casa trouxe-me muitas recordações. Não faz mal voltar a sentir certas emoções. É importante fazer o luto de uma vida que tive e certamente não voltarei a ter, pelo menos nos mesmos moldes. Esta foi uma altura de estar comigo, olhar para os meus sentimentos sem fingimentos. Foi um momento para não esconder nada de mim.

Os últimos tempos foram de grande agitação e sei que ando muito distraída com todas as questões relacionadas à mudança de casa, às arrumações e desarrumações. Vai ser um teste a mim mesma não querer arrumar tudo de um dia para o outro. Mas já que tenho tudo por arrumar, acho que vou aproveitar para ler o livro todo e compreender mais algumas coisas.  Não pretendo demorar uma eternidade a organizar tudo, nem adotar aquela estratégia do “vou fazendo”. Mas quero aprender a arrumar a casa e a vida de outra forma, de uma forma mais consciente.

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