Cozinhar é uma incrível forma de criatividade

Ontem falei sobre a criatividade, hoje reflito sobre colocar em prática o meu lado criativo. Convidei os meus pais para almoçar em minha casa e passei a manhã na cozinha. Fazer uma aprendizagem não passa só por escrever sobre isso, é necessário passar à pratica e ter alguma ação. A criatividade existe em todas as facetas da vida e o meu entusiasmo passou pela confeção de comida.

Não resisto a transcrever uma frase que me foi dita pela Andreia sobre a criatividade, que se encaixa perfeitamente no dia de hoje: “Cozinhar é uma incrível forma de criatividade, em que todos os sentidos estão ativos, uma forma de arte que não permanece no tempo“. Não são necessárias mais palavras para explicar o significado de cozinhar.

A cozinha enche-se de cheiros que adensam o paladar. As mãos transformam os alimentos e dão-lhes uma nova vida. O aroma espalha-se pela casa e sente-se que há vida lá dentro. O almoço não foi nada de muito inovador, frango no forno com arroz branco e brócolos cozidos. No entanto, nunca tinha comido um frango tão saboroso, feito por mim.

Uma abóbora andava comigo há algum tempo e de vez em quando eu olhava para ela e pensava que tinha de fazer alguma coisa boa. Já a tinha quando estava na outra casa, depois mudei para esta e ela continuava ali, à espera do dia em que se iria transformar em algo. Envolvida no ambiente natalício, antes de ontem, decidi fazer doce de abóbora. Fazer doce significa ficar por ali, ir mexendo com amor e paciência e esperar que fique no ponto. Fiz tudo isto com alguma satisfação e o resultado final agradou-me.

Não usei a abóbora toda e hoje fiz um bolo com ela. Já fiz três tentativas de confecionar bolo de abóbora quando vivia em casa dos meus pais, no entanto, todas elas saíram mal. Hoje senti que o fiz com alguma dedicação. Procurei a receita na internet e fui buscar os ingredientes. Olhei para a receita e decidi fazê-la de outra forma, porque não alterar aquilo que alguém já fez e dar-lhe uma nova vida, criar uma coisa nova?

Em vez de usar só farinha de trigo normal, também usei farinha integral. Não tinha açúcar que chegasse e acrescentei geleia de arroz (um substituto do açúcar que aprendi nas aulas de macrobiótica). A receita dizia abóbora ralada e eu coloquei cozida. O coco deu-lhe o toque final. Fiquei sempre pela cozinha de olho na patusca, pois às vezes sou distraída e o pitéu fica torrado! Desenformei o bolo e pensei… agora ficava magnífico com uma cobertura de chocolate! E foi mesmo isso que fiz, chocolate e nozes, mesmo a lembrar esta época.

Os pais chegaram e o almoço foi servido. Abri uma garrafa de vinho que comprei no outro dia, enquanto comprava umas outras para oferecer no Natal. Porque não comprar um bom vinho também para nós? Ficou tudo uma delícia. No fundo, acho que se deveu ao amor com que me dediquei na confeção de todas as receitas. Fazer a comida envolve realmente todos os sentidos, desde o corpo até à alma, e decorar a mesa também. Como disse a Andreia, é uma forma de arte que não perdura no tempo… e ainda bem!

A almoço correu bem e as conversas seguintes também. Pela primeira vez senti que o meu pai reconheceu o lado positivo de algumas mudanças que tenho feito na minha vida. Ele até já o podia ter pensado, mas teve coragem para o expressar. Fiquei feliz, pois de algum modo foi manifestado respeito entre nós os dois, um respeito ligado à admiração. Daqui para o futuro não sei como será, mas este momento que vivi ninguém me tira. Assumir quem eu sou para os que me são próximos não é muito fácil, mas lá chegam os momentos em que percebo que estou a fazer as escolhas certas para o momento.

Partilho convosco uma fotografia das coisas doces! E deixo a receita do bolo para quem quiser experimentar a receita que decidi confecionar!

Bolo de abóbora e coco

400 g de abóbora cozida (no dia anterior e escorrida)

300 g de açúcar (coloquei 120 g de açúcar e o resto de geleia de arroz)

150 g de farinha de trigo

150 g de farinha de trigo integral

100 g de coco ralado

4 ovos

1 dl de azeite + 1dl de óleo de girassol

1 colher (sopa) de fermento em pó

1 pitada de sal

Untar a forma com manteiga e polvilhar com farinha. Ligar o forno a 180 graus. Colocar o açúcar, o sal, o azeite e o óleo, os ovos numa tigela e bater bem (eu usei a Bimby!). Adicionar as farinhas e o fermento, bater novamente. Juntar a abóbora bem escorrida (apertei-a com a mão para sair o excesso de água) e o coco. Verter a mistura para a forma  e levar ao forno, mais ou menos, 30 minutos. Para a cobertura, levar ao lume 100 g de chocolate em tablete  e 100 g de natas. Deixar o chocolate derreter e verter por cima do bolo. Guarnecer com nozes.

Bom apetite 🙂

 

 

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