Olhar o que se sente

Em muitos momentos da vida sentimo-nos mais negativos, mais em baixo. A tristeza fala mais alto, o coração anda apertado e nada do que antes víamos como positivo agora interessa. Todos já nos sentimos assim muitas ou poucas vezes. Por mais que o futuro possa ser risonho, as emoções positivas não conseguem suplantar as negativas e o subconsciente faz reinar as emoções e não a razão. Parece que quanto mais difícil for olhar para o que sinto, mais necessito de o fazer.

Não sei como se faz para passar por isto de uma forma positiva.  Mas neste momento, não me apetece nada olhar para o que sinto, pois quanto mais olho pior. Percebo que deveria arranjar coragem para olhar e lucidez e força para perceber o que tenho a aprender. No entanto, também percebi que se passar tempo a olhar para o que me magoa, mais negativa fico. Talvez quando o tempo passar, eu o consiga fazer com mais naturalidade.

Quando temos de tirar certas coisas da nossa vida há uma necessidade de preencher o vazio, ou o mundo descamba. Há um buraco que fica, que espaço que não é preenchido por nada de bom que te esteja a acontecer. Devo ser grata por aquilo que tenho na vida, eu sei, mas enquanto reinarem por cá sentimentos de tristeza, saudade e falta, não há outros que tomem o seu lugar. Primeiro preciso de me cansar destes, de senti-los e de deixá-los ir, no entanto, custa bastante enquanto este tempo não passar.

Aprendi uma coisa hoje, com uma história que não é minha mas vou partilhar. Tem a ver com aprendizagens a fazer km de bicicleta. “Há um momento em que surge a luta de parar e desistir ou seguir em frente. Tu olhas a estrada e estás a meio caminho para voltar para casa, por isso tens de fazer o caminho para voltar a casa. Mas quando olhas em frente, para a estrada, o caminho parece enorme. Então paras de olhar em frente, para a estrada e para o caminho que falta e focas a tua atenção no chão. Olhas para a frente do pneu e largas a estrada, largas o que falta. Focas apenas naqueles centímetros que é o que tens em cada momento, o que conquistas a cada pedalada. E quando, ao fim de algum tempo, voltas a olhar para a estrada percebes que o caminho está quase feito e nem deste por ela… Isto faz milagres nas subidas longas e na vida!”

Esta foi uma das histórias mais bonitas que ouvi sobre superar desafios. Estou a pedalar em cima da bicicleta e o caminho parece tão longo que só me apetece parar e desistir. Olho para todos os lados menos para o que estou a viver a cada momento. Com este exemplo consegui perceber que nos momentos difíceis em que a Mente só pensa na perda, no futuro e no longo caminho só me devo preocupar em fazer o que está ao meu alcance, que é viver o dia de hoje.

Esta parece-me ser uma boa estratégia para enfrentar os desafios da vida, olhar apenas para os 20 cm à frente do pneu, olhar só para os pequenos momentos que estou a viver. A parte caricata é que os verdadeiros ciclistas, se reparem, vão grande parte do tempo a olhar para o chão, apenas a viver aquele momento.

Ainda não consigo olhar só para os 20 cm, mas espero chegar lá. Termino com uma frase que encontrei na internet:

“Há 3 soluções para todos os problemas: aceitar, mudar, deixar. Se você não conseguir aceitar o problema, tente mudá-lo. Se não conseguir mudá-lo, deixe para lá.”

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