Ser grande ou ser pequeno?

Quando somos crianças queremos ser grandes, queremos que a vida passe rápido para chegar a determinada altura e poder fazer certas coisas. Quando somos adultos temos saudades de ser criança, da simplicidade da vida e de não ter obrigações. O ser humano tem muita dificuldade em estar satisfeito com o que está a viver. Ser grande ou ser pequeno?

Todas as idades da vida têm os seus mistérios, no entanto não somos educados a apreciar o presente. Os pais também vivem preocupados com o futuro, como vai ser a seguir e na maioria das vezes é neste ambiente, nesta corrida para atingir algo, que vivemos.

Quando o futuro se torna presente nem se dá conta, pois continuamos preocupados com o amanhã, com as próximas férias, com o momento em que teremos mais dinheiro para comprar algo que queremos e com a altura que teremos mais disponibilidade para fazer algo que queremos. Só de pensar nisto parece que sinto um cansaço de andar sempre em busca de algo que nem sei bem o que é.

Mais uma vez tive uma conversa interessante com aquela menina de 7 anos que já vos falei. Eu tinha o portátil ligado e a página de um blog aberta, onde se podia ler “Viver sem pressa”. Ela espreitou para lá, pois é muito curiosa, ficou admirada e questionou “Viver sem pressa?!”, como se fosse a maior barbaridade do mundo. Eu perguntei porque é que ela estava admirada com aquela frase e ela respondeu algumas coisas entre elas disse que tinha pressa de viver.

Aquela frase fez-me pensar… ela tem pressa de viver… voltei a questioná-la porquê, pois eu também sou curiosa e desenrolou-se mais ou menos esta conversa:

– Tenho pressa de acabar as coisas, porque não quero acabar no outro dia. Eu quero que a vida passe depressa. – disse ela.

– Onde queres chegar? – perguntei eu.

– Aos 11. – respondeu ela.

– O que queres fazer aos 11?

–  Vou para outra escola com muitos professores e posso ir passear no intervalo.

– E achas isso melhor do que o que tens agora?

– Sim. – respondeu. – É melhor ser grande do que pequena. Porque posso arranjar um trabalho, continuar a ir à escola e ter telemóvel para tirar fotos.

Achei interessante a ideia dela e fez-me refletir sobre isto que estou a escrever. Conversámos mais um pouco e fiquei a saber que ela acha que ser pequena lhe traz muitas desvantagens. Bem, acho que a maioria de nós passou por esta fase, onde olhávamos para os adultos e achávamos muito mais vantajoso do que ser criança.

Ela acha que quando se é pequeno não há muitas coisas divertidas para fazer e quando for grande pode sair com as amigas e fazer o que quiser. O que ela não sabe é que a vida adulta traz muitas outras coisas e que muitas vezes perdemos a criança divertida e imaginativa, e a ingenuidade tão doce da infância.

“E tu?” perguntou-me ela, “o que queres ser, grande ou pequena?”. Esbocei um sorriso, ela é tão simples e pura que me faz admirá-la mais um bocadinho. Eu respondi que queria ser as duas coisas e ela ficou admirada com a minha resposta. Eu expliquei que sou adulta, que há coisas boas de ser adulta e que não posso voltar a ficar pequena. Mas como gosto de fazer coisas que as crianças também fazem, também quero ser criança. Ela sorriu e acho que me compreendeu.

Trabalhar com crianças fez renascer de novo a criança que há em mim, juntamente com a magia, a criatividade e a permissão para brincar e fazer certas coisas que os adultos “já não fazem”. Quando somos pequenos queremos ser grandes e quando somos grandes gostaríamos de ser pequenos de novo, porque cada vez estamos mais perto da morte e essa assusta-nos a todos.

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