Dia de preguiçar

Hoje foi dia de preguiçar e de não fazer nada de especial. De manhã ainda tentei fazer uma caminhada, saí à rua e estava a querer chover, mas armei-me em corajosa e lá fui eu. Bem, devo ter feito mais ou menos 500 metros e tive que regressar, apareceu a amiga chuva e já não havia condições para continuar. Não fazer nada também é bom e há momentos em que o tempo lá fora está cinzento e só apetece ficar no sofá. Será que é errado ter preguiça?

Olhando para a minha experiência como professora, disse sempre às crianças que passaram por mim que não devemos ser preguiçosos. E havia dias em que não lhes apetecia nada, nem a mim! Às vezes damos por nós presos num estranho estado de preguiça e é difícil sair de lá.

Aquilo que tenho vindo a observar nas crianças é que à medida que ficam preguiçosas gera-se uma certa frustração nelas próprias e nos que as rodeiam. Elas porque não conseguem sair daquele estado e serem melhores e as pessoas que as rodeiam porque querem que os filhos ou educandos evoluam e eles não colaboram. Acho que isto não se aplica só às crianças, mas a todos nós…

Segundo uma pesquisa que fiz, quando adiamos constantemente as tarefas que temos para fazer, ou não terminamos o que se começou, a origem está no medo de falhar, no perfecionismo excessivo e na preguiça. Fazer algo significa correr o risco de falhar ao fazê-lo. Então como esse risco parece tão avassalador e a obsessão pela perfeição é tão forte, qualquer tipo de tarefa produtiva, simplesmente, parece não valer o esforço. Para quê correr o risco de falhar?

Consigo ver esta situação espelhada muitas vezes nas crianças e nos adultos também. Todas as pessoas preguiçosas são apenas pessoas resistentes, que não querem mudar. Têm dificuldade em pensar por si próprias, ou seja, em tomar decisões sozinhas. É mais fácil ficar à espera que os outros decidam por elas. Eu consigo rever-me muito nestes comportamentos. Quando tenho algo para fazer e sinto que essa atividade é complexa ou me coloca numa situação de exposição das minhas fragilidades… é muito fácil de a adiar.

Tenho procurado mudar isto e para isso não posso andar só a fazer o que me custa, tenho de procurar bem dentro do meu coração a vontade de viver e de fazer coisas! É importante descobrir o que me faz feliz e experimentá-lo. Para existir equilíbrio na vida é bom contrabalançar. Ao fazer as nossas tarefas é normal que nem sempre corra tudo como planeámos. Às vezes achamos que temos de ser perfeitos em tudo e temos de fazer tudo certo. Mas porquê? Nós não nascemos prontos! Nós nascemos para aprender, por isso podemos errar para depois evoluir.

Por outro lado, a má fama da preguiça esconde os benefícios da “arte de não fazer nada”! A preguiça é a arte de não fazer rigorosamente nada e há pessoas que também não o conseguem fazer. A preguiça pode ser uma boa técnica para combater o stress. O descanso e o repouso vão retirar do corpo as tensões geradas pelas preocupações diárias. Fazer uma pausa é muito bom, melhora a concentração e o estado de espírito.

Mas… isto só funciona se a preguiça for levada a sério e se não nos culparmos de a estar a fazer!! Muitas vezes eu sabia que devia descansar, mas sentia-me culpada por estar o dia todo a preguiçar com imensas coisas para fazer. Quando se sente culpa ela também não é benéfica. A preguiça é importante se for aceite e sem ser em excesso, claro está!

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