Casamentos

Os meus pais hoje fizeram anos de casados, nem sei quantos, mas devem ser para aí uns quarenta! E isto fez-me refletir sobre o casamento. Hoje o conceito de casamento não é o mesmo que os meus pais têm e muito menos o mesmo dos meus avós, se estivessem vivos. Eu também já fui casada e sei que há casamentos que duram uma vida inteira e outros que terminam. O mais interessante é sempre a maneira como as pessoas encaram as coisas, quer estejam casados a vida toda, quer se separem. 

Nenhum de nós é perfeito e o casamento faz parte do ciclo da nossa vida, para quem escolhe casar, claro. Nos relacionamentos há muito para aprender, há muitas lições de vida, no entanto nem sempre as percebemos. Por vezes, só mais tarde é que conseguimos olhar para trás e perceber como aquela pessoa foi importante na nossa vida, nem que seja para eu ter aprendido a escolher-me a mim.

Num casamento de papel passado assume-se um compromisso, depois a vida corre e há pessoas que ao fim de alguns anos estavam melhor separadas que juntas, no entanto não o fazem. Porquê? Há tantas crenças, tantos medos e tantos problemas em enfrentar a sociedade que mais vale ficar quieto e não fazer nada. Lá se vai suportando o outro e os dias vão passando. As pessoas esquecem-se que podem ser felizes de outra forma e se aquele formato de relação terminou, venha outro.

Se chegas a um altura em que achas que o caminho não é por ali, sentes que não estás no sitio certo, porque não mudar? Muitas vezes insistes, insistes e fazes mais do mesmo. A vida não avança e o próximo ciclo não se inicia.

Todo o fim é um princípio e o fim do meu casamento também me mostrou muitos princípios. Quando o casamento termina é porque as coisas não estão bem, ficam mágoas, ressentimentos, culpas de ambas as partes e aquela ideia de que poderíamos ter feito tudo diferente. Treta! Foi o que foi, porque na altura éramos aquelas pessoas, hoje pensamos de maneira diferente.

Não posso alterar o passado, mas posso no presente mudar a maneira como olho para o passado. Quando os casamentos terminam, é possível surgirem agradáveis surpresas e as pessoas passam a ver-se de outra forma. O casamento também é um ciclo e chega a um ponto que o ciclo termina e dá origem a outro. Ainda pode haver aprendizagens a fazer. O tempo é um grande senhor e ele faz milagres.

Dos casamentos surgem coisas boas! Do casamento dos meus pais surgi eu e a minha irmã e eu estou feliz por cá estar!

8 thoughts on “Casamentos

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  1. Casamento… de fato é um termo apenas. O que acontece são encontros entre pessoas que podem permanecer por tempos variáveis, alguns como disseste podem permanecer por uma vida inteira interrompido apenas na passagem de um ou de outro, mas há aqueles que dependendo da situação mesmo com um trauma a vida continua, daí aquele dito popular de quem fica viúvo é quem morre e não quem ficou vivo.
    Um relacionamento afetivo não necessariamente deve ser por meio de contrato social ( Casamento Civil e Religioso), pode apenas ser uma convivência, uma parceria que inclusive inclui filhos, porque não?
    E filhos, também podem ser “genéticos” ou não o que importa é o amor e dedicação que se vai dar naquele relacionamento.
    Somos ainda muito atrasados no sentido do relacionamento, há muito tabu a ser quebrado, seja pela sociedade que muitas vezes prefere usar a chamada “máscara da hipocrisia”, seja por crenças religiosas ou mesmo por determinações culturais.
    O certo é, a vida da forma como a conhecemos é única, rápida e cheia de escolhas. Infelismente não nascemos com o controle total de nossa máquina humana e ela vai se desenvolvendo conforme vamos testando. ;D

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  2. Era capaz de selecionar várias frases deste texto que ressoam em mim mas, esta, é aquela que vibra mais: "só mais tarde é que conseguimos olhar para trás e perceber como aquela pessoa foi importante na nossa vida, nem que seja para eu ter aprendido a escolher-me a mim." Começo a crer, cada vez mais, que essa escolha é mesmo a mais importante de todas e que, todos os eventos e pessoas que surgem na nossa vida, é com a intenção de nos direcionar para ela!

    É tão bom quando o percebemos e sentimos, não é Guida?! 🙂

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    1. É muito bom Susana. Escolher-nos a nós não significa menosprezar o outro, muito pelo contrário, o respeito passa a ser visto de maneira diferente. Tudo é sempre uma grande aprendizagem, muitas são dolorosas e só queremos fugir, mas mais tarde ou mais cedo vamos obter coisas positivas. Grata pelas tuas palavras. Abraço 🙂

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      1. É o muito pelo contrário, mesmo, Guida! Porque ser capaz de se escolher a si próprio, sabendo o importante que isso é, implica saber que é algo que não compete apenas a “mim” fazer.

        Escolher-se a si mesmo, é algo a ser feito por cada um. Por isso, quando nos escolhemos, acabamos por mostrar ao outro que ele também se pode escolher. É em tudo diferente de menosprezar, como tu tão bem sabes. 🙂 É honrar! A minha essência e a da outra pessoa. Parabéns por essa Coragem e grata pelas tuas palavras também! ^_^

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