A velocidade a que vivemos

Às vezes estamos tão obcecados em  chegar ao nosso objetivo que nos esquecemos da coisa mais importante: é preciso caminhar até ele. Outras vezes passamos várias vezes pelos mesmos “locais” e nem reparamos. Quero com isto dizer que fazemos as mesmas coisas erradas vezes sem conta e não aprendemos. Hoje de manhã decidi fazer a experiência e caminhar durante meia hora a uma velocidade quase duas vezes menor que aquela que costumo usar. Foi muito enriquecedor!

A velocidade do nosso pensamento é aquela com que vivemos, se eu andar sempre com pressa de fazer tudo, a minha cabeça também vai andar assim e automaticamente o meu relógio também. Depois é fácil queixar-me que o tempo passa a correr.

Isto acontece porque o ato de “caminhar” não existe, apenas existe o desejo de “chegar”. O nosso Ego é tramado e está sempre com pressa que tudo aconteça, depois não chega a usufruir. Quando se viaja em direção a um objetivo, é muito importante prestar atenção ao caminho, porque ele é que nos ensina a melhor maneira de chegar e enriquece-nos enquanto o estamos a fazer. Dando um exemplo concreto e levando isto para a vida sexual, são as carícias e os preliminares que determinam a intensidade do orgasmo!

Ora, esclarecidos quanto ao tema de hoje, vou partilhar a minha experiência. Desci a ladeira para ir fazer uma caminhada e quando me apercebi estava cheia de pressa. Decidi abrandar o passo para menos de metade da velocidade e apercebi-me que os meus pensamentos travaram a fundo e abrandaram também.

As várias personagens que existem dentro de mim pararam e perguntaram: “O que se passa? Porque vamos tão devagar?”. Eu sorri e percebi os vários barulhos que me rodeavam, a forma dos prédios, o que estava escrito na publicidade, as cores e os cheiros. Existia em mim uma necessidade exacerbada de andar mais rápido, mas eu obriguei-me a manter aquele ritmo lento.

Colocava um pé diante do outro com a máxima lentidão, estava a andar mas parecia que não saía do lugar. Até um senhor de moletas me ultrapassou! Não valia a pena olhar para o relógio pois o tempo não corre sempre ao mesmo ritmo, nós é que determinamos o ritmo do tempo. Quando estamos à espera de algo, o tempo demora a passar e quando estamos a fazer algo que gostamos muito parece que o tempo passa a correr.

No regresso a casa, e depois dos trinta minutos, achei que iria voltar ao meu ritmo de antes, mas o engraçado é que não fui capaz! Vim na mesma devagar, e ainda bem, pois gostei bastante da caminhada de hoje.

Enquanto andamos ou conduzimos cheios de pressa o nosso cérebro funciona àquela velocidade e cada vez mais, dia após dia, ficamos stressados e ansiosos com o futuro. Ao abrandar o passo pude respirar com consciência e observar tudo de outra forma. Com a movimentação da rotina perdemos informação preciosa sobre nós e os outros.

Quando temos um objetivo na vida ele pode ser melhor ou pior dependendo do caminho que escolhemos para atingi-lo e da maneira como decidimos fazer o caminho. Aqui fica uma aprendizagem, retirar das práticas diárias os segredos, que por causa da rotina, não conseguimos ver.

Podemos praticar caminhando todos os dias durante vinte minutos, à metade da velocidade a que estamos habituados a fazê-lo, e prestar atenção a todos os detalhes, pessoas e paisagens que estão à nossa volta. Passaremos a ter tempo de qualidade connosco, ou têm medo da vossa companhia?

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